Só me resta tentar emagrecer mais e mais até atingir a meta; até me desfazer em pele e osso, frágil, pequena e quebrada. Só me resta sumir.
Queria que as pessoas me amassem menos, assim eu poderia me destruir sem preocupação. Não tenho amor próprio, apenas por essa ilusão de vida boa que se vai a cada notícia lida no jornal.
Eu sou pecadora; vou pro inferno. Sei o caminho para sair disso, tenho belas oportunidades por ai, bela vida, tudo. Eu sei que posso, que devo, mas eu não quero. Eu tenho tudo para ser feliz, mas me agarro na tristeza. Eu não sei porque ela é tão atraente.
Sou um desastre, faz tanto tempo que não mio - e não consigo, porque não quero magoar aqueles que amo, e também não quero ser jogada para médicos, psiquiatras tentando consertar o que nasceu quebrado; sou um erro incorrigível, sou uma peça que deve ser descartada por não ser idêntica as outras pedidas. Sou aquele número insignificante após a vírgula.
Eu pensei em comprar comida - e embora tenha comido uma tonelada quando cheguei em casa; eu cometi o erro de pensar em comprar comida no shopping. Eu chorei igual uma estúpida, cortei o clima de alegria após o filme - que devo mencionar, vi sozinha - e chorei por ter pensado em gastar dinheiro na praça de alimentação. A agonia não me deixou ficar lá; pessoas gordas comendo lanches gordurosos e eu cogitei a ideia de pedir um sorvete, a culpa me socou tanto por dentro e eu sai correndo, chorando. Uma gorda inútil balançando as paredes do shopping ao correr. Eu me senti péssima, como pude pensar em gastar dinheiro com comida? Como pude sábado gastar dinheiro com comida? Eu sou uma inútil, uma idiota fracassada e gorda mesmo.
Estou em busca de emprego. A biblioteca da escola está quase pronta e não há muito o que fazer quando terminar. E eu não quero ficar lá pra sempre, quero apenas arrumar e ir embora. Apenas isso. Mas quero um emprego que me renda dinheiro, preciso colocar na poupança para sair de casa, ter meu sonho, minha vida e tudo mais. Eu ainda sonho, embora acho que não passo desse ano, ou ano que vem. Talvez eu resista apenas para me ver queimar, morrendo aos poucos e virando cinzas, pele e osso pele e osso. Eu quero ser frágil, quero um controle forte. Eu estou enlouquecendo.



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